O terreno onde atualmente está localizada a casa de número 1281, na Rua dos Guayanazes pertenceu originalmente à antiga Chácara do Campo Redondo, tendo sido propriedade do Brigadeiro Luis Antônio de Sousa Queiroz, e posteriormente de seus filhos, Vicente de Souza Queiroz - Barão de Limeira; Francisco Antônio de Souza Queiroz - Barão de Souza Queiroz e do Comendador Luis Antônio de Sousa Barros. Com a valorização dos terrenos, depois da abertura da linha férrea que liga São Paulo a Santos, e a posterior implantação dos serviços de água da Companhia da Cantareira na região, em 1882, as chácaras da região começaram a ser loteadas. O primeiro anúncio de vendas de lotes da Chácara do Campo redondo foi publicado em julho de 1882. 


A casa foi projetada pelo Arquiteto Florimond Colpaert em 1896 para ser residência de Alfredo Prates e sua família, sendo a primeira construção a ser erguida no lote. Nos documentos existentes no Arquivo Público consta como requerente de autorização para construção da casa: Tommaso Ferrara, podendo ter sido o executor da obra, no entanto há informações históricas que confirmam que o Florimond Colpaert também atuava como empreiteiro em fins do século 19 e início do século 20.


Não há muitas informações sobre o Florimond Colpaert, sendo provavelmente um imigrante de origem flamenga. Há registros da entrada no Brasil de uma família Colpaert, de origem francesa em 1891, porém o nome Florimond não é citado entre os membros da família. Os primeiros registros encontrados sobre sua atuação no estado de São Paulo são de 1895, quando esteve envolvido no “ladrilhamento da capella do Cemitério da Consolação”. Também projetou, junto com o Benedito Calixto, o monumento comemorativo ao IV centenário do descobrimento do Brasil, inaugurado em 22 de abril de 1900, situado na Atal praça 22 de janeiro, em São Vicente. Faleceu em São Paulo, em 24 de maio de 1939.


Alfredo da Silva Prates foi um próspero industriário em São Paulo, em fins do século 19. Era filho de Fidêncio Nepomuceno Prates e Inocência da Silva Prates. Foi casado com Mariana Marcondes Prates e teve três filhas: Inocência, Carolina e Firmina. Inocência e Carolina morreram solteiras em idade avançada. A última herdeira da casa foi D. Firmina, que faleceu em 1998, tendo deixado a casa como doação para a Irmandade da Misericórdia, ultima proprietária até a sua compra em 2012 pela Holding Porto Seguro.


Nos arquivos históricos há um registro que fala sobre uma reforma que a casa teria sofrido em 1910, não constando, no entanto, maiores informações sobre o que foi feito. Aparentemente a casa esteve ocupada pela família até meados dos anos 1950 quando passou a ser alugada. Esta época coincide com o início do período de degradação do bairro, e o consequente encortiçamento de várias edificações, o que acabou acontecendo com o antigo palacete de Alfredo Prates.


O projeto de intervenção para a casa visa atender a um programa de uso administrativo da Pares Empreendimentos. A Pares e a Porto Seguro vem consolidando a tradição no cuidado e preservação de antigas construções no bairro de Campos Elísios e com este projeto visam recuperar as características mais importantes da casa aplicando um programa de uso que permita a adequação às suas necessidades corporativas.


Além da recuperação de todos os elementos das fachadas, o projeto tem como principais norteadores a recuperação do antigo terraço (atualmente emparedado) e  restauração cuidadosa dos elementos dos cômodos lindeiros à fachada principal. Serão também preservados a escadaria de acesso principal e seus elementos decorativos, o antigo jardim de inverno e a escada de acesso ao sótão.


Tanto no pavimento nobre, quanto no porão serão removidas algumas paredes de modo a integrar os ambientes e atender ao seu novo programa de usos, no entanto serão preservados os pisos e forros dos antigos cômodos, possibilitando-se a leitura da espacialidade original.


O projeto civil foi executado pela TripoR Arquitetura e a obra foi executada pela M2A Engenharia.